Enquanto isso, dezenas de empresas moçambicanas estão no prejuízo
O Grupo Evolution Moçambique, uma empresa pertencente a empresários portugueses, está a ser conotado como responsável pela provável falência de dezenas de empresas moçambicanas que operam na área de produção de eventos corporativos, governamentais, espectáculos musicais, festivais, eventos sociais, conferências, simpósios, entre outros. Isto acontece porque a Evolution Moçambique pertencente a um cidadão português de nome Teodósio Reis é apadrinhada por altas individualidades do Partido Frelimo, com destaque para uma senhora ligada às finanças da Frelimo(Sónia), antigos ministros e alguns administradores em empresas públicas.
A empresa goza da facilidade de ser entregue, sem concurso público, tudo que acontece a nível das produções. Isso cria uma situação de as empresas moçambicanas que sempre estiveram ao serviço do país há vários anos, mesmo sem pagamentos, suportem rendas de aluguer de escritório, salário dos trabalhadores, manutenção de equipamentos, letras de empréstimos bancários, armazenamento dos equipamentos.
Na lista das empresas que nada ganham, perdendo sempre para Evolution constam: Associação dos Empresários e Promotores de Eventos e Espectáculos (ADEPEE), Federação Moçambicana das Indústrias Culturais e Criativas (FEMICC), RENCO, fornecedores de tendas, audiovisuais, Catering, decoração, AMEV, entre outros.
Uma fonte que representa os empresários e produtores moçambicanos afirma: “ Este grupo de portugueses veio de Angola. Tiveram problemas lá e vieram se instalar em Moçambique. Primeiro operaram com o nome S&R. Santos & Reis –Estruturas e Eventos. Depois descontinuaram o nome e passaram a designar-se Grupo Evolution Moçambique, incorporando na sua estrutura altas figuras da nomenclatura moçambicana que através de chamadas intimidatórias e de ordenação, obrigam ministérios, empresas publicas e alguns privados a entregar todas produções, eventos e conferências a essa empresa estrangeira”.
Um renomado advogado da praça explica a situação da S&R. “Acompanhei em sede do Tribunal e a empresa S&R foi citada há alguns anos atrás por ter sido adjudicada eventos, directamente, sem concurso nem contrato pelo IPEX que pagou elevadas somas. A então directora do IPEX, Cecília Candrinho foi condenada um ano e dez meses por causa desse caso e foi obrigada a pagar ao Estado moçambicano aproximadamente sessenta milhões de meticais. Portanto, é um grupo que opera, ganha concursos, paga luvas há bastante tempo. Talvez tenha sido por isso que mudaram o nome”.
Segundo os empresários moçambicanos, são vários os prejuízos que vem sendo acumulados por conta dessa maneira estranha de agir e atribuição de trabalhos sem concurso.
“Por exemplo, uma das maneiras clássicas que usam para afastar empresas moçambicanas dizendo que não têm capacidade nem qualidade, é a publicação de concursos e adjudicação em quinze dias. Claramente que para organizar um evento grande o concurso deve ser publicado com antecedência para que se crie uma estrutura que responda positivamente. Mas quando se trata dos “estrangeiros – Evolution”, o trabalho é lhes entregue faltando seis meses, o que facilita a preparação, organização do valor de investimento e outras componentes que tem que ver com a produção”.
Outra fonte, uma mulher de fibra que mesmo com as cambalhotas nunca desistiu, diz: “Eu sou moçambicana e é aqui no meu país que devo desenvolver as minhas actividades. Imaginem que cada empresa emprega mais de 60 trabalhadores directos. Multiplique esses trabalhadores pelas empresas lesadas e considere que cada trabalhador suporta uma família com cinco membros. Quantas pessoas são injustiçadas e que ficam sem emprego, sem vida! Quantas pessoas ficam prejudicadas? Temos dívidas por pagar porque nós, diferentemente deles que vão ao Millennium BIM e BCI levar dinheiro a custo zero para começar a pagar seis meses ou um ano depois, nós temos que suportar as letras de juros bem altos. Isso é uma morte certa. Será que nós moçambicanos podemos ir a Portugal e ganhar campo para começar a produzir eventos e conferências? Claro que não. Mas eles vem para aqui e fazem tudo que querem porque metem alguns trocados no bolso de algumas pessoas. Olha, não temos nada contra investidores estrangeiros sérios, apenas queremos que haja igualdade e transparência na atribuição de trabalhos por concurso público”.
Outro empresário sedeado na região Centro do país lamenta o que sucede dizendo: “Nós estamos aqui no Centro do país. Investimos muito dinheiro para que pelo menos os eventos por cá sejam produzidos por nós, o que diminui as assimetrias no país. Mas nada acontece porque as ordens são dadas por um grupo de pessoas. Veja que a HCB- Hidroeléctrica de Cahora Bassa, nosso orgulho, fez cinquenta anos no ano passado. Praticamente a Evolution produziu tudo e até teve tendas no Songo por muito tempo. Será que somos independentes? Continuamos sob jugo colonial? Se estivermos no Neocolonialismo, digam-nos para ficarmos tranquilos e decretar falência e mandar nossos trabalhadores para rua, onde vão passar fome, enquanto estrangeiros ganham tudo e até nos ministérios. Ganham dinheiro e transferem divisas para seus países onde investem para seus concidadãos terem emprego e serem bem pagos. Nós trabalhamos e garantimos sustento de muitas pessoas pois por cada evento, para além dos nossos contratados, temos colaboradores sazonais, entre electricistas, montadores de casas de banho, limpeza, técnicos de frio e muito mais”.
MINISTÉRIOS E CINGENI CAPTURADOS
O modus operandi da Evolution Moçambique traz nas nossas memórias a táctica militar intitulada OPERAÇÃO TERRA QUEIMADA. Isso porque a Evolution capturou tudo e a muitos. A CIGENI – Comissão Internacional para Grandes Eventos Nacionais, ministérios com grande referência para o da Agricultura, Indústria e Comércio, Economia, Obras Públicas, Agência do Zambeze, Ministério da Juventude e Desportos, Banco de Moçambique, Centro de Conferências Joaquim Chissano, alguns Governos provinciais, estão capturados e num esquema em que recebem chamadas de imposição para fazerem adjudicações directas para Evolution Moçambique.
“Não sobra nada, eles fazem e organizam tudo. Quando se sentem apertados ou sufocados pelo volume do trabalho, subcontratam as “coitadinhas” empresas moçambicanas para darem migalhas pelos serviços a prestar. Estamos a passar mal e a desaparecer. Socorro. Moçambique é nosso país. Veja que mesmo na FACIM, em Marracuene, tudo é feito e organizado pela Evolution que é contratada pela APIEX. Veja por exemplo que para FACIM 2026 já começou o ensaio para Evolution controlar tudo. Em Dezembro chamaram-nos para um evento de lançamento da FACIM, onde estava o ministro Basílio Muhate. Segundo o programa havia previsão de termos networking e discutir ideias. Mas nada disso aconteceu. Fomos chamados para mais uma vez ir testemunhar a entrega do projecto à Evolution que vai montar pavilhões que custam balúrdios, montar som e vídeos. Daqui há pouco vão substituir a Televisão de Moçambique, STV, Miramar nas reportagens e produções de programas sobre a FACIM. Isto já não está a dar. Como é que se explica que a Evolution tome conta da FACIM e ganhe mais dinheiro que a APIEX? Isso é matéria para o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) em Moçambique, investigar. SOMOS MOÇAMBICANOS E QUEREMOS TRABALHAR”.

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