Vivemos numa época em que a beleza deixou de ser apenas uma expressão individual para se transformar numa indústria global de proporções gigantescas. Todos os dias surgem novos procedimentos, novas fórmulas, novas tendências e novas promessas capazes de oferecer juventude, perfeição e transformação. Somos constantemente incentivados a melhorar a aparência, a corrigir imperfeições e a procurar uma versão ideal de nós próprios.
Mas, no meio desta procura permanente por resultados externos, poucas pessoas param para fazer uma pergunta aparentemente simples: até que ponto estamos verdadeiramente a cuidar de nós ou apenas a responder a padrões que aprendemos a seguir?
Foi precisamente essa inquietação que levou Viviane Beretta a transformar a sua experiência profissional numa missão muito maior do que a estética.
Com mais de duas décadas de experiência, fundadora de oito clínicas, autora, palestrante e criadora do conceito Estética Consciente, Viviane construiu uma trajetória que começou no universo da beleza, mas que rapidamente ultrapassou os limites tradicionais da área.
Hoje, o seu trabalho procura algo mais profundo do que transformar aparências. Procura ajudar mulheres a desenvolver consciência sobre saúde, identidade, escolhas e valor pessoal.
“Deus confia-nos dons não para brilharmos sozinhos, mas para servirmos e transformarmos vidas”, afirma.
A forma tranquila como fala contrasta com a intensidade das questões que levanta.
Por detrás da profissional reconhecida existe uma mulher movida pela fé, pela família e por uma forte convicção de propósito.
Ao longo dos anos, Viviane acompanhou milhares de mulheres dentro das suas clínicas. Viu transformações físicas acontecerem, acompanhou mudanças visíveis na autoestima e testemunhou a felicidade de muitas clientes ao reencontrarem confiança na própria imagem.
Mas começou a perceber algo que, pouco a pouco, passou a inquietá-la.
Apesar das mudanças exteriores, muitas mulheres continuavam a carregar dores profundas.
Muitas regressavam em busca de novos procedimentos, novas mudanças e novas soluções, como se existisse sempre algo mais para corrigir.
Como se a satisfação estivesse permanentemente alguns passos à frente.
“Percebi que muitas dores femininas não estavam relacionadas apenas com a aparência. Havia uma procura constante por aceitação, pertença e validação”, explica.
Essa perceção tornou-se o início de um processo muito mais profundo.
Paralelamente à prática clínica, Viviane começou a aprofundar estudos científicos que despertavam novas perguntas sobre aquilo que as pessoas utilizam diariamente sem grande questionamento.
Cosméticos, fragrâncias, produtos de higiene pessoal, embalagens e diversos hábitos modernos passaram a ser observados sob outra perspetiva.
Durante o mestrado e através da participação em investigações científicas internacionais, encontrou respostas para inquietações que há muito a acompanhavam.
Foi nesse momento que começou a compreender algo que alteraria completamente a sua forma de olhar para a estética.
“Compreendi que muitas das nossas escolhas diárias carregam impactos que nem sempre conseguimos ver imediatamente.”
Viviane começou a estudar os chamados xenobióticos — substâncias estranhas à biologia humana presentes em diferentes elementos do quotidiano.
Segundo explica, embora muitos compostos sejam processados naturalmente pelo organismo, outros exigem processos complexos de metabolização, podendo permanecer durante longos períodos no corpo humano.
Mas, para Viviane, a questão nunca foi criar medo.
A questão passou a ser criar consciência.
“Precisamos reaprender a questionar”, defende.
Foi dessa união entre experiência prática, investigação científica e convicções pessoais que nasceu a Estética Consciente.
Um movimento que procura promover uma relação mais equilibrada entre beleza, saúde e identidade.
Contudo, para Viviane, existe algo ainda mais silencioso e igualmente preocupante.
Uma intoxicação que não entra apenas através do corpo.
Entra através da mente.
Vivemos rodeados por estímulos constantes. Redes sociais, comparações permanentes, padrões irreais de beleza e uma exigência contínua de desempenho criaram uma geração cada vez mais pressionada a corresponder a expectativas externas.
Segundo a autora, muitas mulheres vivem atualmente sob uma enorme carga emocional invisível.
Somos constantemente expostas à necessidade de sermos mais bonitas, mais jovens, mais produtivas, mais fortes e mais perfeitas.
E o resultado dessa pressão tornou-se evidente.
Mais ansiedade.
Mais exaustão.
Mais desconexão.
Mais mulheres a perderem contacto consigo próprias.
“A verdadeira saúde começa quando desenvolvemos consciência não apenas sobre aquilo que colocamos no corpo, mas também sobre aquilo que permitimos entrar na mente.”
Na sua visão, uma das maiores ilusões da atualidade é a ideia de que o valor feminino depende da aparência.
Desde cedo, muitas mulheres aprendem que precisam de mudar algo em si mesmas antes de se sentirem suficientes.
Existe sempre algo para melhorar.
Mais uma tendência.
Mais um procedimento.
Mais uma promessa.
Mas raramente existe espaço para uma pergunta essencial:
Quem somos para além da imagem?
Para Viviane, essa talvez seja a questão mais importante de todas.
Porque acredita que o maior resgate que uma mulher pode fazer não está relacionado com a aparência.
Está relacionado com a identidade.
“O maior resgate que uma mulher pode fazer não é o da sua aparência. É o da sua essência.”
Ao olhar para o futuro, a sua missão permanece clara: continuar a educar, continuar a investigar e continuar a criar espaços de reflexão que permitam às mulheres fazer escolhas mais conscientes e alinhadas com os seus valores.
Porque acredita profundamente que a transformação individual nunca termina apenas numa pessoa.
Reflete-se na família.
Nos filhos.
Nos relacionamentos.
Nas futuras gerações.
“Quando uma mulher se levanta, uma família inteira se ergue.”
Num mundo cada vez mais orientado para aquilo que se vê, Viviane Beretta procura recordar algo que muitas pessoas parecem ter esquecido.
Que a verdadeira beleza talvez nunca tenha sido sobre perfeição.
Talvez sempre tenha sido sobre verdade


